Autora: Lorena Maués
Juliana nasceu em Brasília, mudou-se para Manaus e foi criada em Minas. Mas seu coração sempre foi carioca. Desde os tempos de menina, quando visitava o seu avó no Leme. Aliás, mudar-se para o Rio foi o seu sonho de criança, depois de adolescente. Realizou quando foi aprovada no vestibular para medicina e foi morar em Niterói. Bom, não era exatamente no Rio. Mas o que importava? Ao menos ela podia ver a cidade todos os dias. E sempre que podia vinha para o lado de cá.
Juliana costumava dizer que o dia mais feliz da sua vida foi quando viu o Rio pela primeira vez como moradora. Ela estava na Cantareira, em Niterói, e com os olhos cheios d´água virou-se para o seu primeiro amigo carioca e disse: "Xande, Baía de Guanabara". Xande achou um pouco esquisito aquela frase solta, mas não comentou nada. Em seguida, Juliana com a voz meio embargada soltou: "Xande, Morro da Urca". Aí não se conteve e chorou.
Esse dia virou senha de banco e de e-mail. Afinal jamais esqueceria o dia exato que viu o Rio de Janeiro pela primeira vez como moradora.
Mas o tempo foi passando e os problemas na cidade aumentaram. Trânsito, violência, sujeira. Juliana foi aos poucos de decepcionando, mas continuava convicta de que, apesar de tudo, o Rio continuava lindo.
Um dia Juliana acordou-se sentindo mal. Foi para o hospital. O diagnóstico: Dengue hemorrágica. Juliana morreu. O Rio agora não continua mais lindo pra ela. Nem para Xande. Nem para os seus pais. Nem para os outros amigos cariocas que conheceu.
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